domingo, 9 de dezembro de 2012

"E aprende-se a dizer saudade"


Rever e reler postais é lembrar, é sentir saudade de um amor, de um amigo, de alguém que já se foi para sempre ou de alguém que um dia a gente conheceu, mas que perdeu o contato. Longe, o remetente está; mas, ao receber um postal dele, aqui comigo ele está. Muitos cartões eu recebi e conservei.

Muitos amigos estavam num país distante, na Espanha; numa cidade artística, em Amsterdam; na Iglesia de Santa Cruz, em Coimbra; na Catedral de Notre-Dame, em Paris; passeando numa gôndola que deslizava silenciosamente pelas águas, em Veneza; sonhando com fadas ou sereias, no Castelo da Cinderela...

Outros amigos estavam mais perto, na Praça Getúlio Vargas, em Caratinga; admirando os lindos jardins da Rua das Flores, em Curitiba; bem ali, tomando um banho de mar na Praia das Castanheiras; num hotel com lindas vistas para a cidade de Recife; em Santana do Livramento, colocando flores para Iemanjá; em Ouro Preto, curtindo o carnaval; tomando água de coco e curtindo o por do sol, em Fortaleza; ou passeando nas ruas de Manaus...

E, meu amor, meu grande amor, estava em Buenos Aires, visitando a Plaza de Mayo!

“É bonita, a Espanha, mas sinto muitas saudades de casa”.



“Estamos agora na “louca” Amsterdam, que fica linda durante a noite, com seus canais iluminados”.



“Como vês, aqui estou novamente à beira do Mondego...”.



“Querida prima, um grande abraço de Paris! Penso muito em vocês todos”.



“Conhecemos a Disney World, tudo é inesquecível. Cada brinquedo é uma surpresa!”.



“Querida, a viagem está muito boa. Estamos na Itália e já visitamos muitos países”.



“Olha Caratinga, uma parte da cidade. A outra parte parece mais com você”.



“Aqui as pessoas são bonitas e elegantes, e tudo é bem organizado. Estou sentado numa praça linda, onde tem um prédio belíssimo da Universidade do Paraná, você conhece?”.



“Querida amiga, estamos no 11º. andar de um hotel, com uma vista maravilhosa para o mar e montanhas. Nunca vi lugar mais barato na minha vida. O kg do camarão é 500,00”.



“Querida, estamos num hotel muito bonito, com linda vista sobre as famosas pontes do Recife”.



“Oi, Leni, tudo bom? Temos passeado muito, apesar do tempo fechado pra praia. Essa é uma das festas que nós vamos assistir no ano que vem, não é?”



“Leni, como você não pode vir, te mando um pedacinho de Ouro Preto - é realmente linda – olha, e há carnaval pelas ruas – você ia gostar”.



“Saudade de você. Como estão as coisas aí? Aqui faz calor e a cidade é uma loucura – até a volta e um beijão”.



“Aqui está tudo numa ótima total. Muitos banhos nos rios amazônicos, sol causticante... Às vezes vou andando na rua e tenho a impressão de ver alguém daí (você eu já vi umas 3 vezes) e aí me toco e falo (me): Você não está em BSB, menina. E tudo volta se recompor”.



“Amor, aqui as mães se unem para chorarem o desaparecimento de seus filhos. Saudades. Te amo muito, muito, muito!”.



Assim, revendo e relendo cartões-postais, eu me lembro dos meus amigos e sei que, um dia, eles também se lembraram de mim...  Com as imagens que eu recebia, tinha o prazer de viajar com eles, de carro, de ônibus, de trem, de avião...  e de conhecer países, cidades, praças, mares...



  E, também, de responder, rapidinho, ao meu amor:



Leninha, março/2012